Outro rio.

Em janeiro mudei de rio. Já não vejo mais o Negro e sim a Baía de Guanabara. Meu novo Rio é tão velho quanto esse país, suas águas são salgadas e azuis como o céu, tão diferentes daquele rio doce negro como a noite. Me pergunto se o olhar que trouxe comigo ainda é o mesmo, teria se tranformado?

O conjunto de fotos a seguir é fruto dessa mudança, elas são, ao mesmo tempo, minhas impressões do novo e uma busca por identidade.

mais em:

http://www.flickr.com/photos/30903714@N05/sets/72157641383839224/with/12720266454/

Apesar de você… há uma fotografia.

13289538

Estamos acompanhado os embates e debates que cercam as biografias não autorizadas. Minha opinião sobre tudo isso coincide com as palavras do jornalista e escritor Laurentino Gomes que disse entender o direito dos biografados à privacidade e à intimidade, mas destacou que a riqueza da história depende da pluralidade de visões a respeito de personagens e acontecimentos.
O meu grande interesse nessa história toda surgiu com a ressente notícia dada pela Folha de São Paulo onde o grande Chico Buarque foi destaque graças as sua declarações… infelizes? Todos devem saber de qual declaração estou me referindo, então, não vou entrar em detalhes. Enfim, hoje a Folha divulgou a notícia de uma fotografia que desmente Chico, quando o mesmo disse não ter dado nenhuma entrevista para César Araújo para a biografia não autorizada de Roberto Carlos, intitulada “Roberto Carlos em Detalhes” (Planeta).
Polêmicas à parte, essa foto, me fez refletir em outro princípio inscrito nos genes da Fotografia: a suposição de verdade. Por sua aparência, a fotografia não só é depositária de verossimilhança (qualidade da visibilidade), mas também de veracidade (qualidade do discurso). Por um lado, transcreve o real com fidelidade; por outro, infunde uma auréola de honestidade no fotógrafo… ou em quem fez a foto. Portanto, a câmera reúne simultaneamente o verdadeiro, o verossímil e o veraz. Em qualquer caso o gesto de identidade a que a fotografia não renunciou até agora é o de fornecer dados confiáveis. Por isso a sensação de contrariedade que sentimos quando descobrimos que tal foto não é real.
O pedido de desculpas parece ser óbvio:
“Não me lembrava de ter dado entrevista alguma a Paulo Cesar Araújo, biógrafo de Roberto Carlos. Agora fico sabendo que sim, dei-lhe uma entrevista em 1992 [...] Errei e por isso lhe peço desculpas”, escreveu Chico nesta quinta-feira.

Pois é Chico, sou fã incontestável, mas apesar de você… há uma fotografia.

Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii – (1863-1944)

inicio

 É alucinante a qualidade na fotografia a cores conseguida há um século.

As fotografias que se mostram a seguir não foram coloridas agora. São originais. Foram realizadas pelo fotógrafo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii com a melhor câmara da época. Sergei Mikháilovich Prokudin-Gorskii (1863-1944) dedicou a sua carreira ao avanço da fotografia e estudou com renomados cientistas em São Petersburgo, Berlim e Paris onde se formou como químico, desenvolvendo as técnicas para as primeiras fotografias a cores. Dos seus resultados surgiram as primeiras patentes de películas positivas a cores.

Prokudin-Gorskii utilizou os seus estudos em química para desenvolver um sistema fotográfico no qual se realizavam três tomadass num soporte de vidro, tomadas monocromáticas em sequência muito rápida, em placas de vidro de 3 x 9 cada uma com um filtro de cor diferente (vermelho, azul e verde).

Os negativos branco e preto assim obtidos eram positivados e depois estes positivos transparentes projetavam-se diante do público com um projetor triplo que contava com os mesmos filtros de cor em cada uma das suas lentes. As três placas que tinham decomposto a imagem cromaticamente, voltavam a compô-la ao coincidir as três projeções sobre uma tela branca (ecrã) e assim era possível reconstruir a imagem com as cores originais. No entanto, Prokudin-Gorskii não dispunha do mecanismo para realizar impressões das fotos obtidas.

01

Em 1905, Prokudin-Gorskii concebeu o grande projeto de documentar, com fotografias a cores, a enorme diversidade da história, cultura e avanços técnicos do grande Império Russo, como material para ser utilizado nas escolas do império.

Para o seu projeto, o Czar Nicolau II pôs à sua disposição um vagão de trem equipado com uma câmara escura e todo o material fotográfico necessário. Igualmente obteve todos as permissões para visitar áreas de aceso restrito e contar com o apoio da burocracia do império.

Assim equipado, Prokudin-Gorskii percorreu o império entre 1909 e 1915, documentando-o com imagens e dando a conhecer a magnitude das suas terras, suas paisagens e as populações. A alta qualidade das imagens, combinada com as cores brilhantes, tornam difícil para os espectadores crer que se trata de fotografias de 100 anos atrás e que, quando foram tiradas, nem a Revolução Russa nem a Primeira Guerra Mundial tinham começado.

02

Os temas mais frequentes entre as 2.607 imagens são as pessoas, a arquitetura religiosa, os lugares históricos, a indústria e a agricultura, a construção de obras públicas, as cenas ao longo das rotas de transporte de água e da estrada de ferro, e vistas de aldeias e cidades.

Aqui eu separei  algumas das centenas de imagens a cores que a Biblioteca do Congresso de Washington digitalizou no ano 2010. Já que foi esta instituição que em 1948 adquiriu as placas de cristal originais aos herdeiros do fotógrafo.

Em 1918, Prokudin-Gorskii abandonou a Rússia depois de inteirar-se da morte do Czar e da sua família. Dirigiu-se primeiro á Noruega e Inglaterra instalando-se a seguir em Paris onde morreu em 1944.

O fotógrafo de Czar - Coleção de fotografias a cores tiradas entre 1909 e 1915 no final do Império Russo

10

9

8

 5

4

11 12 13 14 15

1

Auto retrato de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii

Aonde vamos ?

“Por acreditar que não há limites para os caminhos,

Não há lugar que seja realmente longe pra quem sente,

Porque é aquilo que somos

E até mesmo o que queremos ser

E aonde queremos ir”.

Aleatoriamente, e inicialmente sem pretensão conceitual, fotografei pés. Hoje é algo íntimo, algo em que acredito e tento, sempre que posso, realizar algo em cima do que penso ser a interpretação do real e do imaginário.

                      Nossos pés podem estar no chão, ou no mais alto céu.

Imagens: Outubro de 2012 – Agosto 2013.

DSCF6677

DSCF6673

DSC_0063

DSCF7233

DSC_6717

CSC_0061

DSC_8004

Foto-plus

Hoje li uma matéria de uma revista “especializada em fotografia” , cujo o titulo era: “Os 10 Mandamentos de Henri Cartier-Bresson” e o subtítulo dizia algo como a lista de Bresson para fotografar cenas urbanas.

Bom…Basta somente assistir à algum documentário (sério) sobre a vida e a obra desse fotógrafo para constatar que ele, muito provavelmente, odiaria essa matéria.

Principalmente esse titulo meio cosmogônico… Mas é o que vende.

“10 dicas para ser um fotógrafo excelente”, “Domine a luz natural”, “5 mandamentos da felicidade”, e tantos outros desse tipo, são títulos que estamos habituados a ver nas bancas e livrarias, aliás, quem lembra da revista que trazia na capa: “Seja um fotógrafo em 1 dia”?.

São tantas pontes, linhas-guia que nos apressamos a estender. Meios e métodos melhorados para um fim não melhorado. As inovações costumam ser preciosos brinquedos que acabam nos distraindo das coisas importantes, por exemplo, Bresson disse várias vezes que não queria estar vivo para ver a “regra dos terços” no visor da câmera.

Onde foi parar o “punctum” de Barthes? Ou a “Aura” de Benjamin?

Acho que esse tipo de artigo (tão comum e que parece “formar” a geração de fotógrafos da qual faço parte) se apressa em estender uma linha de comunicação entre a fotografia e as pessoas que consomem esse produto; mas, talvez a fotografia e essas pessoas não tenham nada de importante para dizer um ao outro.

Hoje é difícil imaginar a fotografia pura, ou seja, parece que há uma “necessidade” de mesclar a fotografia com outras artes visuais e outras plataformas para que ela ganhe outra estética e pareça mais “interessante”, isso pode ser bom… mas creio que não seja Fotografia e sim uma especie de foto-plus que vem dominando as exposições e galerias…

O que eu sinto é que a fotografia contemporânea, a que resta, mais que a arte da luz, deva se tornar a arte da lucidez.